terça-feira, 30 de abril de 2013

Projeto da FGV-EAESP reúne casos de inovação ligados à sustentabilidade

O Centro de Estudo em Sustentabilidade (GVces) da FGV-EAESP, em parceria com outras entidades, dá início ao circuito de 2013 do projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor


A ideia do projeto é reunir donos de empresas dos mais diversos meios e tamanhos e promover a sustentabilidade dentro da cadeia produtiva dessas companhias. O tema central das discussões desse ano gira em torno dos resíduos pós-consumo e como essas empresas podem colaborar para melhorar esse processo, além de reduzir custos e riscos, gerar maior eficiência na cadeia e no uso de recursos.

 A primeira oficina do projeto aconteceu em março, e os 12 representantes de grandes empresas discutiram sobre o tema central de resíduos e pós- consumo. Além deste encontro, o projeto contará com mais duas oficinas, que abordarão temas como gestão de resíduos, logística reversa, Política Nacional de Resíduos Sólidos, ecologia industrial e inclusão social, além de aprofundar o tema do ciclo 2012 - Gestão de Fornecedores.

Ao final do projeto, as melhores ideias e casos de inovação que se destacaram durante o decorrer dos encontros e oficinas serão selecionados por uma equipe de especialistas do GVces e, então, publicados no site do projeto, além de fazerem parte do banco de dados do projeto, sendo detalhados em uma publicação anual, que será lançada no fórum de encerramento do ciclo de 2013.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ibovespa completa 45 anos com mesmas dúvidas de décadas passadas

Desde sua criação, em 1968, pelo engenheiro e economista Mário Henrique Simonsen, na época assessor do ministro do Planejamento, Roberto Campos, o índice Ibovespa gera controvérsias. Em 1993, quando o índice comemorou 25 anos, o professor Hélio de Paula Leite, da Fundação Getulio Vargas, foi um dos convidados pela Bovespa para escrever um livro sobre a história do índice, e ele já foi interrogado sobre a criação de um novo índice. Hoje, 20 anos depois, a pergunta continua divagando entre conversas de economistas, estudiosos e membros envolvidos na bolsa de valores, mas ainda sem resposta definitiva.

Isso porque o índice atual, utilizado no pregão brasileiro, continua o mesmo desde quando foi criado, em 68. Ele é baseado no volume financeiro e na quantidade de negócios das ações. O índice é atualizado a cada quatro meses, e estudos recentes afirmam que ele cumpre bem a tarefa de representar o mercado de ações brasileiro. Mas, por outro lado, em alguns critérios ele deixa a desejar. Por exemplo, o desempenho do índice em relação ao PIB é superior a 34% negativo, e o número de empresas listadas apresenta defasagem. Nenhuma empresa do setor automobilístico se encontra no pregão, nem no Ibovespa. O professor William Eid Jr., do Centro de Estudos em Finanças da FGV-EAESP, destaca quatro aspectos importantes para se ter um bom índice: relevância (deve refletir os mercados ativos e de interesse), abrangência (deve incluir oportunidades disponíveis em condições normais de mercado), replicabilidade (os participantes devem poder imitar a composição do índice, adquirindo ações diretamente) e perfil de investimento bem definidos e informados com clareza.

 A ideia de um novo índice ou revisão do Ibovespa circula com força no mercado de capitais. A solução para especialistas é aumentar a participação do PIB nos critérios do valor das ações e diminuir o peso de empresas como Vale e Petrobras.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Universalização do acesso à água é lenta demais

Em pleno século XXI, ainda temos cenas lamentáveis de famílias que não possuem acesso a tratamento de água. A estimativa é que cerca de 70 milhões de pessoas descartem seu esgoto em rios, sem nenhum tipo de tratamento. Isso é uma situação crítica para um país que se estima ter cerca de 40 milhões de litros de água doce por habitante, e onde apenas 30% da população têm acesso a isso.

Os especialistas dizem que o problema é crônico e está atingindo o país por diversos motivos. No sul do Brasil, existe uma demanda alta por parte da irrigação das plantações de arroz, que passam dos dois milhões de hectares plantados. A Grande São Paulo usa 430% mais água do que a capacidade dos reservatórios da região, por seu grande número de pessoas. Já Rio de Janeiro e Belo Horizonte sofrem com a ineficiência de seus sistemas de abastecimento, sem contar o drama que vive o Nordeste. "O problema da água no Brasil não é só a seca. É mais um problema de gestão do que fenômeno físico", afirma Gesner Oliveira, professor de economia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP).

O governo trabalha no plano de universalização do acesso à água em todo o país, mas o projeto caminha em passos lentos. Ainda que haja efetividade na extensão da rede de esgoto, muitas vezes, existem perdas que agravam o problema. Vazamentos, ligações irregulares, falta de hidrômetros ou calibragem podem significar 38% de perda em todo o país. No Amapá, as perdas chegam a 74%. Alagoas 66%. São Paulo tem 32,6%. A menor é no Mato Grosso, com 19,7%, mesmo assim um número elevado. Mas ainda que esses problemas sejam resolvidos, existem áreas com muita defasagem de tratamento de esgoto digno para as famílias. Apenas o estado de São Paulo e o Distrito Federal possuem uma cobertura de esgoto superior a 90% da região. Maranhão, Pará, Rondônia e Acre, por exemplo, têm entre 40% e 60%. O Amapá tem menos de 40%.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Empregadas domésticas reconhecidas

A decisão do Senado, no final do mês passado, de enquadrar as empregadas domésticas nos mesmos direitos dos demais trabalhadores trará diversas mudanças para a relação entre patrões e domésticas. Isso porque, com as novas leis, as empregadas ficarão ainda mais caras, uma vez que os patrões deverão pagar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), algo que deve subir o preço dessas profissionais em uma média de 8%. Com essa nova fonte de arrecadação, o fundo do FGTS deve arrecadar algo em torno de R$5,5 bilhões por ano a mais.

Segundo William Eid Junior, professor da FGV-EAESP, a mudança na lei não altera, em grande parte, a posição das domésticas quanto ao mercado. “Não basta apenas mudar a lei para garantir a transformação de uma cultura arraigada”. Boa parte das domésticas vai continuar na informalidade pois a relação não é puramente empregatícia, mas também afetuosa”. Existem ainda as domésticas que podem se sentir acuadas a pedir a regularização de sua situação, por medo de perder o emprego. Outra possibilidade é o caso das empregadas que dormem no serviço, algo que pode gerar dúvidas sobre o pagamento das horas extras. “Muitas famílias poderão preferir dispensar a doméstica e contratar diaristas, ou mesmo passar a viver sem empregada”, complementou o professor, focando que é um risco que se corre com essa nova iniciativa.

A expectativa é que as domésticas fiquem cada vez mais caras e escassas com esse novo enquadramento na lei, mas, em contrapartida, aquelas que vivem da profissão serão recompensadas com o tratamento e reconhecimento digno que qualquer profissional merece, independente de sua área de atuação.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Planilhas indispensáveis para empresas

O empreendedor precisa se organizar. Cuidar de uma empresa que possui fornecedores, clientes, base de dados, estoque, caixa, entre outros quesitos, requer organização. Uma maneira simples, porém eficaz de não se perder entre tantos números e dados, é gerenciar tudo em planilhas. “O que a gente vê na pratica é que a maioria das empresas não tem controle nenhum do que está acontecendo”, afirma Tales Andreassi, professor da FGV-EAESP. Veja uma lista com algumas planilhas essenciais para não perder o controle do que está acontecendo na sua empresa.

Planilha de vendas

Existem softwares prontos que fazem esse serviço, mas o pequeno empresário não precisa gastar um valor alto para isso, no princípio, e pode ele mesmo fazer sua planilha. “Assim, você pode descobrir a sazonalidade do seu negócio”, afirma Andreassi. A planilha de vendas deve ter colunas com o número de venda, a data, o valor da venda, número de itens e o nome do vendedor.

Planilha de controle de caixa

Esta planilha é muito importante, pois a negligência no controle de caixa é o motivo da falência de muitas empresas. Sempre controle diariamente os lançamentos da empresa, entradas e saídas. A primeira coluna deve ter os custos fixos para facilitar o controle e não se esquecer de pagar nada. 

Planilha de funcionários

Serve para controle de equipe. Nela, constam dados como vendas, metas e setor onde o funcionário atua, controlando dados como queda nas vendas de algum funcionário, ou até mesmo no rendimento.

Controle de estoque e compras

Esta é uma planilha que é muito importante e, dependendo da demanda da empresa, pode salvar a corporação do fracasso. É indispensável para quem trabalha com produtos, ainda mais se o mix for grande. A planilha precisa ter as seguintes colunas: pedidos, pedidos cancelados, status da entrega, quantidade em estoque e vendas. Esse controle é importante para não haver ruptura, além de controlar as vendas da empresa e apontar os produtos mais procurados.

Planilha de pagamentos e recebimentos

Serve para controlar o caixa com mais precisão e ter um panorama melhor da situação da empresa nos próximos meses. Com ela, é possível analisar quando a empresa terá mais dinheiro em caixa para investir e se há cobranças a fazer, por exemplo.




terça-feira, 23 de abril de 2013

Protecionismo atrapalha crescimento da indústria

O Brasil vive um dos seus melhores momentos, economicamente falando. Milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza, outros milhões entraram na classe C; nunca houve tantos novos ricos e as marcas estrangeiras voltam seus olhos para o país como nunca fizeram antes. Mas, mesmo em meio a todo esse novo cenário positivo, ainda vemos velhos problemas assolando o mercado e o consumidor brasileiro: os altos preços.

Se o mercado está aquecido e as pessoas adquiriram poder de compra (e estão comprando), por que os preços continuam tão altos? A resposta é o excesso de protecionismo que cerca a indústria brasileira. Os produtos brasileiros são duas ou até três vezes mais caros em comparação aos produtos nacionais dos Estados Unidos, Europa e até no México (que vive em uma situação econômica e industrial muito semelhante à nossa). Isso porque a indústria e os comerciantes brasileiros não competem com outros países, e os tributos alfandegários são muito altos e impedem que os produtos importados tenham preços competitivos. Muitas vezes, quando uma marca instala fábricas no Brasil para reduzir gastos com importação, os preços acabam não baixando mesmo assim.

Como não existe competição justa, as indústrias e comerciantes veem um campo fértil a ser aproveitado, e o governo continua cedendo à pressão deles. As montadoras reclamaram e o IPI caiu novamente, além do governo ter subido substancialmente o imposto de carros chineses e coreanos. Essa é uma estratégia que aleija a indústria nacional e estanca a busca por inovação. Além disso, as indústrias brasileiras, ao contrário do que acontece em todo o restante do mundo, estão acostumadas com altas margens de lucro e baixa produção. “Não é imposto”, afirma o tributarista Fernando Zilvetti, da FGV-EAESP. “Ninguém aqui abre margem. Lucro deve ser obtido com base na produtividade, em uma margem com escala”.

Como já foi falado aqui no blog da EAESP (que você pode ver pelo link http://fgv-eaesp.blogspot.com.br/2013/03/demanda-sob- oferta.html), não adianta tentar incentivar demanda se a oferta não está adequada com a realidade do país.


Graça Foster, presidente da Petrobras, realiza palestra na FGVEAESP


No último sábado (20/04), os alunos da FGV-EAESP tiveram o prazer de acompanhar a palestra da presidente da Petrobras e ex-aluna da Fundação, Maria da Graça Foster, que aproveitou para discutir as questões energéticas no Brasil, além da política de alianças externas da empresa, a matriz energética do Brasil e do mundo e o pré-sal.

A palestra correu de maneira agradável e descontraída, com a presença da diretora da EAESP, Maria Tereza Leme Fleury, que aproveitou a ocasião e a presença tão nobre de Graça Foster para lançar a edição da revista GVexecutivo, que fala justamente sobre a ascensão das mulheres no mercado de trabalho. 

Na palestra da presidente Foster, muito se falou sobre matriz energética. Com uma das matrizes mais balanceadas do mundo, o Brasil se destaca na utilização de fontes de energia renováveis. Cerca de 47% da energia consumida no país vem dessas fontes, principalmente hídricas e do etanol. Quando questionada sobre a relação entre a Petrobras e o etanol, a presidente foi enfática ao dizer que o recurso ainda faz e fará parte dos planos da empresa, e que a Petrobras continuará investindo em etanol. “Eu gosto muito mais de etanol do que de gasolina. O Brasil tem tudo a ver com etanol e o etanol tem tudo a ver com o Brasil”, relatou.

Foster afirmou que a Petrobras estima que 50% de sua produção seja de origem do pré-sal, até 2020, e insiste em dizer que o pré-sal é, sim, uma realidade. Com ele, a empresa busca crescimento entre as maiores produtoras de petróleo do mundo, pois os gráficos das previsões mostram uma vertiginosa queda na produção em relação à demanda, que continua a crescer. Para atender essa demanda mundial, os previsores apostam em quatro países produtores: EUA, Iraque, Canadá e o próprio Brasil, com o pré-sal. Por isso, a presidente é categórica ao afirmar sobre a posição da Petrobras nesse cenário: “A prioridade da Petrobras é produzir petróleo, depois vem refinaria e geração de energia”, afirmou, estimando um investimento de US$147 bilhões em produção de petróleo, nos próximos 5 anos.


Depois da palestra, em um bate-papo um pouco mais descontraído, a presidente respondeu a algumas perguntas vindas da plateia, formada por alunos, professores e convidados da FGV-EAESP. Pré-sal e as alianças externas da Petrobras foram os assuntos preferidos dos convidados, mas sobrou espaço para falar sobre a importância da figura feminina dirigindo a maior estatal do país. Sobre tal assunto, Graça respondeu de maneira bem humorada, mas também incisiva: “Não importa se [a pessoa] é homem ou mulher; [ela] precisa ser eficiente naquilo que faz”.