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quarta-feira, 5 de junho de 2013

FGV-EAESP firma parceria para formação de gestores

Sempre buscando a evolução dos estudos e aplicações, a FGV-EAESP acaba de firmar mais uma parceria internacional. A Fundação Botín, fundação espanhola voltada para ação educativa, socioeconômica e cultural, assinou acordo para incluir a FGV-EAESP em seu programa de formação em Administração Pública voltado para universitários.

O “Programa para o Fortalecimento da Gestão Pública na América Latina” é uma iniciativa pioneira de ensino, que visa o fortalecimento das instituições através da capacitação das pessoas interessadas em política pública. A Fundação Botín já conta com um módulo nos Estados Unidos, e agora fixa parceria com o Brasil, visando ampliar seus conhecimentos e sua área de atuação, com experiência global.

A etapa brasileira acontecerá em Brasília e São Paulo, com aporte do Doing Business in Brazil (DBB), um programa da FGV-EAESP que proporciona cursos customizados com visão política, econômica e social para profissionais e acadêmicos de escolas estrangeiras. A coordenadora do projeto, Isabela Curado, acredita que a FGV-EAESP foi escolhida para representar o Brasil por sua excelência e tradição. “A Escola foi convidada por sua tradição no ensino de Administração Pública, além de suas pesquisas sobre formulação e implementação de políticas públicas”, destaca.

Um dos diferencias oferecidos pela FGV-EAESP foi uma imersão em iniciativas públicas de destaque através de palestras, visitas e conversas, além das aulas expositivas. Os órgãos escolhidos foram Poupatempo de Itaquera, o HumanizaSUS, a urbanização de Paraisópolis e o Portal da Transparência.

Fonte da imagem: Corbis Imagens

quinta-feira, 21 de março de 2013

Competências soft em tempos de crise

A recente crise econômica mundial pode nos levar a questionar o papel da educação no mundo dos negócios e nas escolas de business. Mais especificamente, sobre a formação de gestores capazes de lidar com as complexidades do presente momento de nossas sociedades. Podemos encontrar uma reflexão sobre esse tema no livro de Rakesh Khurana, From higher aims to hired hands. O autor nos ajuda a entender o processo histórico envolvido na formação do administrador e a construção das competências necessárias para sua atuação no mundo dos negócios.

 Antes de mais nada, Rakesh nos lembra que o debate sobre o papel social das escolas de negócios não é recente. A questão já era colocada no início da profissionalização dos administradores, no final do século XIX, nas universidades americanas. Na visão do industrial Joseph Wharton, por exemplo, seria necessário desenvolver nos jovens, ao lado do caráter sólido, conhecimentos especializados em administração para o benefício da comunidade.

 Outro exemplo, em 1919, quando assumiu a direção da Harvard Business School, a preocupação de Wallace Donham era com a formação de líderes capazes de dignificar a profissão e honrar as responsabilidades sociais que a acompanhavam.

 Logo após a Segunda Guerra, entretanto, houve nos Estados Unidos um movimento que tinha por objetivo transformar a profissão do administrador em algo tão importante como a profissão de médico e advogado. Nesse período, a população americana passou a usufruir dos resultados da produção em larga escala e os gestores/executivos passaram a ser vistos por sua contribuição social. A formação do gestor passou a incluir então a busca de ferramentas quantitativas e tecnológicas para dar racionalidade e legitimidade a processos de decisão.

 A pesquisa de Khurana mostra que dos anos 1950 até os anos 1970, tanto as competências hard como as soft estavam presentes na formação dos administradores nas principais escolas de negócios americanas. Contudo, a partir dos anos 1970 o “mercado” triunfou. predominaram, assim como uma formação eminentemente prática e avessa à reflexão e à consideração do papel social do gestor. O ponto é que as competências hard são fortemente questionadas quando aparecem as crises. Nesses momentos podemos constatar a fragilidade e as limitações das ciências econômicas e do management para a resolução de problemas de nossas sociedades. É também em momentos como o que vivemos agora, quando a gestão se transformou em uma atividade predominantemente formal, lastreada pelas finanças e pela perda de contato com os valores sociais do management, que devemos resgatar o debate sobre as competências soft na formação de nossos gestores. Especializações em detrimento de uma abordagem mais generalista. Especializações em detrimento de uma abordagem mais generalista predominaram, assim como uma formação eminentemente prática e avessa à reflexão e à consideração do papel social do gestor.

 O ponto é que as competências hard são fortemente questionadas quando aparecem as crises. Nesses momentos podemos constatar a fragilidade e as limitações das ciências econômicas e do management para a resolução de problemas de nossas sociedades. É também em momentos como o que vivemos agora, quando a gestão se transformou em uma atividade predominantemente formal, lastreada pelas finanças e pela perda de contato com os valores sociais do management, que devemos resgatar o debate sobre as competências soft na formação de nossos gestores.